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Treino de Gestão

Antes restrita a corporações, técnica do coaching desenvolve gestores de médias empresas

Técnica de autodesenvolvimento que une reflexão e ações práticas, o coaching chegou ao meio da pirâmide no ambiente dos negócios.
Voltado originalmente a CEOs e altos executivos de multinacionais, o processo passou a ser aplicado também a gestores e diretores – inclusive de empresas de médio porte. Os investimentos em líderes de diferentes níveis se tornou quase uma exigência em um cenário econômico aquecido e desafiado pela alta competitividade. Desde a disseminação do coaching executivo no país, ao longo da última
década, a prática invadiu as grandes corporações para orientar a tomada de decisões de líderes empresariais. Agora, porém, com condições mais estáveis para desenvolver competências individuais, a ferramenta começa a ganhar espaço em diferentes setores.
– Antes, o processo era muito particular, em empresas multinacionais. Hoje, o mercado brasileiro tem permitido um maior planejamento dos recursos humanos na área da liderança – avalia Renato Ricci, master coach e diretor do Instituto

Positive Change Brasil.

A ampliação da prática nas empresas pode ser medida pela explosão dos números envolvendo a formação de coach no Brasil. De 2006 até o final de 2010,a Sociedade Brasileira de Coaching havia certificado 2,5 mil profissionais para atuarem na área.Somente neste ano, serão mais 2 mil pessoas treinadas.
– Nos últimos anos, houve um crescimento de 300% na busca pela certificação no país – afirma Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching.
A grande procura pelo serviço, conforme Matta, é reflexo do amadurecimento do processo.
– Antes, um coach era chamado para resgatar o executivo em dificuldades, como se fosse a última chance. Hoje, entra para a empresa dar um diferencial ao executivo – completa Matta. Para atuar como coach executivo, salienta, é preciso
ter experiência e casos de sucesso no currículo.
– Ao crescer a procura, surgiram os oportunistas e a banalização da área, mas há muitos profissionais éticos – alerta.
Com mais de 20 anos de experiência, o professor Osvino Pinto de Souza Filho, da Fundação Dom Cabral, destaca que a transição do coaching dentro das organizações foi impulsionada pela maior competitividade de mercados.
– Nos anos 90, as empresas brasileiras não tinham preocupação com competitividade. Hoje, a realidade é totalmente diferente – compara. Já há relatos até de falta de coachs, especialmente para atuar na orientação de executivos do
topo de organizações – casos que demandam alta especialização e vivência de mercado. No Estado, a recém-criada Sociedade Gaúcha de Coaching estima que existam cerca de cem profissionais atuando em coaching de negócios. Mas,
segundo o presidente Ronald Dennis Pantin Filho, ainda há muita falta de informação:
– Muitos confundem o coaching com um simples treinamento. É bem diferente, a prática trabalha descobrindo nas pessoas talentos que elas próprias desconhecem. Os resultados são construídos junto com os profissionais. Embora não haja dados consolidados sobre o número de coachs certificados no Brasil, estimasse que mil profissionais atuem no meio empresarial. Com um maior oferta no mercado, o serviço ficou mais mais acessível, especialmente para empresas de médio porte. Desde o ano passado, a rede de varejo Eny Calçados investe na técnica para desenvolver seus gerentes.Fundada há mais de 80 anos, a empresa tem 15 lojas no Estado, com 290 colaboradores.Gerente de uma unidade aberta há um ano em Santa Maria, Anísio Marion Munhoz, 40 anos, está na quarta sessão do processo, conduzido pela coach Lidiane Bertê.
– Em um mês, já identifico o foco onde é necessária uma atuação mais forte – diz Anísio, há 22 anos em cargos de gerência.

Jornal: Zero Hora
JOANA COLUSSI

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